sexta-feira, 30 de maio de 2014

As derradeiras cores na luz desta tarde, leva-as contigo

As derradeiras cores na luz desta tarde, leva-as contigo,
Embrulha-te nelas ou oferece-as pelo caminho.
Leva contigo também o cheiro a maresia preso nos pinheiros,
E as nuvens que ficaram entrançadas no vento.

Este vento que persiste como chuva na nossa alma.

Eu fico a desfiar as nossas conversas,
Cada fio, cada palavra, um desassombro de revelações,
Fico a demorar os meus dias no abrigo hibernante de cada hora,
E, inabalável e poderosa, teço o pano dos nossos afetos.

Atravessado o tempo do medo e da euforia,
E aquietados os pequenos estrondos do nosso peito,
Perfeito o rito, somos puros e sublimes aliados.

Fico com tanto de nós, levas tanto de nós.

Tu já ausente, íntimo e implacável na tua silhueta ambreada,
E eu finalmente mergulhada no derrame quente do sol,
Tu e eu, renascentes e desinvernados.